sábado, 29 de agosto de 2015

Ansiedade

"Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado."
Jó 42:2
Ansiedade é um estado comportamental que em uma quantidade equilibrada, é importante para que ajamos diante das circunstâncias da vida, fujamos do perigo que nos cerca, nos faz tomar posicionamentos e atitudes diante do que a vida coloca diante de nós. Mas quando essa ansiedade se torna excessiva, pensamentos frenéticos, preocupações e medos constantes e muitas vezes inseguranças e pessimismo diante do futuro, se torna um problema podendo levar a transtornos psiquiátricos como ansiedade generalizada, sindrome do pânico,transtorno compulsivo obsessivo, síndrome do pensamento acelerado entre outras. Considerada como uma das doenças do século perdendo apenas para a depressão, a ansiedade tem sido um tormento e sofrimento na vida de milhões de pessoas em todo mundo, de acordo com uma pesquisa feita pelo centro de psiquiatria da USP, nunca as farmácias venderam tantos ansiolíticos e calmantes como nesses últimos 10 anos. Vivemos em um mundo de muita pressão e padrões elevados para uma vida ser considerada feliz. Pressões na familia, estudos, trabalho, para namorar, casar, para sermos bem sucedidos e vitoriosos, mercado de trabalho a cada dia mais exigente e competitivo, faculdade, contas e desemprego, violência,enfermidades e tantas outras coisas que fazem parte da vida humana. Mas tenho aprendido uma coisa diante de tanta ansiedade, nós não somos donos das nossas vidas e do nosso destino, não estamos no controle dela, não podemos alterar a ordem das coisas assim como não podemos evitar que o sol brilhe amanhã. Existe um Deus que governa e rege todo o universo, que tem o controle de absolutamente tudo em suas mãos, um Deus que determinou todos os dias e cada acontecimento da nossa vida. Ansiedade nada mais é do que chamar Deus de imcopetente e não reconhecer de fato a sua soberania. Não existe vida cristã triunfalista como muitos pregam, mas existe um cristianismo que prega que Cristo estaria conosco todos os dias, até a consolação dos séculos. As coisas não devem ser como queremos e sonhamos, mas como Deus quer. Queremos a todo instante tirar as "rédeas" de nossa vida das mãos de Deus porque somos orgulhosos e prepotentes, ter o controle para que depois nosso ego seja envaidecido por elogios e aplausos. Deixa eu te falar uma coisa, cada atitude,ação, motivação e superação que você tem na vida, foi porque Deus determinou antes. Sem ele e sua soberania você não teria feito nada. Cada vitória e bênção em sua vida decorre por causa da ação e controle de Deus sobre o mundo, você não tem mérito de nada, não passamos de seres mortais e imundos diante de tanta devassidão e corrupção oriunda do pecado. Para de achar que você merece alguma coisa porque não merecemos nada a não ser uma justa condenação eterna ao inferno. Pare de se achar bom e melhor do que seu próximo por seguir regras religiosas, aos olhos de Deus você é tão mal e ruim quanto um serial killer, um estuprador.Não existe um justo se quer assim diz as santas escrituras. Tudo que acontece de bom na nossa vida é por mérito de Deus, pela sua graça comum e misericórdia. Nada é por acaso, situações positivas e negativas ocorrem para que sejamos moldados a pessoa de Cristo e para que sua pessoa seja manifestada sobre nossa carne. Para que a glória dele seja manifestada e que a vontade dele e não a sua, seja cumprida. Perdão Senhor por todas as vezes que duvidamos e achamos que somos donos das nossas vidas, por nós acharmos dignos e merecedores de algo, por querer determinar e declarar o que Senhor deve ou não deve fazer.Por querer determinar o tempo e como deve proceder. Perdoe nossa ingratidão e por blasfêmias que proferimos como crianças mimadas que não sabem ouvir um não. O Senhor é dono de todas as coisas, sua mão poderosa não pode ser detida por ninguém em fazer a sua vontade, só o Senhor é digno de glória e todo louvor. Volte ao Senhor o Israel, povo escolhido do Senhor, porque nosso Deus é único, e seus planos não podem serem frustrados. Que nossa confiança não esteja em nada além do Deus de Abraão, Isaque e Jacó! Que Deus tenha misericórdia de nós!

sábado, 22 de agosto de 2015

O rei sem sombra



Onde quer que eu vá, ela me persegue. O que quer que eu faça, ela faz também. Mesmo que eu tente fugir, mesmo que eu ordene que ela vá embora, ela continua ali, intacta.
Ela só existe por causa da luz. Quando a luz chega a algum lugar ela pode atravessar o que encontrou.
No entanto, em alguns casos, ela encontra uma barreira que faz o que me segue existir: a sombra
A sombra me traz a consciência de que há um pouco de trevas em mim. Por mais que a luz me encontre, eu ainda deixarei um pouco de escuridão aparecer
Esse parece um drama universal. Todos têm um pouco de trevas em si e ninguém pode fugir disso a menos que tenha poder suficiente para fazer o sol parar de brilhar. Mas será que existe alguém sem sombra?
Sim, existe. Ele é um rei tão poderoso que é capaz de fazer o sol parar de brilhar. Foi ele que o criou, ele reina sobre tudo e sobre todos. Ele é a própria luz e nele não há trevas.
Um dia eu também não terei escuridão alguma em mim. Meu corpo glorificado não gerará treva alguma quando encontrar aquele que é a própria luz: o rei sem sombra.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Tisnar



Passou o carvão no papel, tisnando a imagem e adicionando um sombreado só seu à face do desenho. Apreciou a obra concluída e revelou para a dona, que gostou muito. Enquanto a senhora preparava-se pra pagar o preço, ele percebeu que tanto havia gostado daquela pintura que a queria para si. Pediu-a para a mulher, que como qualquer dos outros que já haviam passado por aquela situação, não soube dizer não. Havia algo nos olhos do artista que não os permitia recusar. O homem emoldurou o retrato e viu sua compradora sorrir. Ela agora sabia que ele cuidaria do desenho melhor do que ela jamais poderia. E como não? Cada peça tinha tanto valor, que se por ela fosse cobrado o real preço, ninguém poderia pagar. Ele amava seu trabalho. Se desse nomes pra cada um dos produtos lembraria de todos os nomes, mesmo já tendo feito mais do que podia contar. Cada um fora perfeitamente planejado, mas a verdade é que gostava mais de uns do que de outros, e estes ele pedia pra si. Desde a feitura já sabia aqueles que eram favoritos, o que é natural de todo criador. Ao contrário daqueles eleitos pelos compradores, seus prediletos não eram os mais bonitos e elaborados, mas os mais simples, os que pareciam ter menos valor. Os dele eram diferentes dos outros e tinham sempre coisas em comum entre si, mas seus admiradores não podiam ver por estarem orgulhosos demais de seus próprios retratos. Não havia importância. Ele sabia que os retratos vendidos em algum momento se perderiam, ou seriam esquecidos. Os dele não. Estariam pra sempre nas mãos de quem sabia o real valor deles.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Materialismo



  Vivemos em um tempo aonde o protestantismo deixou de ter como base e doutrina o "Sola Scriptura", trocando-o por humanismos, liberalismos, emocionalismos, hedonismo, narcisismo, egocentrismo, profecias e achismos. Penso que se Lutero vivesse hoje e visse no que a igreja protestante se tornou, teria uma enorme decepção. Um dos resultados advindos dos desvios mencionados é o materialismo: A prioridade em ter seu prazer em Cristo e sua graça foi transformada em desejo por riquezas, bênçãos e mais bênçãos. É pregado um evangelho totalmente distinto do que o que vemos na bíblia. Muitos de nós crescemos ouvindo que crente não pode passar por dificuldades, por doenças, por crises, solidão, momentos de necessidade, perdas, perseguição e demais sofrimentos, como se o próprio Jesus não tivesse sofrido semelhantemente. Somos levados a crer numa vida triunfalista com base no orgulho humano e não por Cristo. Jesus disse: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". Pastores como verdadeiros lobos famintos por ovelhas, investem em cultos que atraiam pessoas em busca de uma vida próspera, cheia de regalias e um bem estar egoísta, sabendo que o mundo abunda de "crentes" em tal situação, influenciados pela mídia e sociedade que ilustram e plantam como objetivo vital uma felicidade que declaram ser propiciada pelo consumismo, onde o valor pessoal esta no ter e não no ser. Vemos igrejas cheias em campanhas dos 7 dias da quebra de maldição, 7 passos para conquistar seu carro, emprego, sua casa própria, 7 quintas feiras para determinar sua bênção, mas poucos vão á cultos de doutrina e oração, que visam estabelecer uma relação mais intima entre o Homem e Deus (o que claramente deixou de ser a prioridade da maioria dos que se dizem cristãos). Não querem mais saber de santificação para a morte da carne e crescimento de Cristo e do Espírito Santo em nós, e a culpa de tanto hedonismo não está no sistema social ou em qualquer problema periférico. A raiz dos males está no homem, naturalmente imundo, morto em delitos, escravo de suas paixões mais depravadas desde a queda no Eden. Jesus não morreu por nós para que nossa vida nessa terra fosse perfeita, mas para nos salvar do domínio da morte e do pecado, nossas enfermidades da alma, muito maiores do que qualquer doença física ou emocional. Enquanto eleitos de Deus, nossa maior alegria deve estar em saber que mesmo sendo pecadores dignos de nojo Ele vem com sua abundante graça e nos leva ao constante arrependimento e a certeza da nossa vida eterna junto dele. Nossa função como filhos de Deus nessa terra é mostrar sua glória ao mundo, amar os doentes, pobres, pecadores, os famintos, os perseguidos e injustiçados e assim ajuntar tesouros aonde traça e ferrugem não corroem e o salteador não pode nos roubar. Que sejamos gratos pelo que temos e pelo que não temos, para a glória do Senhor, amém.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Aguado



Mexeu o café com o cabo da colher como de costume, e bebeu todo de uma vez, olhando para o fundo da xícara cheio de açúcar com desgosto e ânsia de vômito. Estava fraco e numa mistura angustiante de quente e frio. Saltou da cadeira, correndo pra pia e cuspindo tudo que tinha na boca. Não parecia com a semente de qualidade que havia colhido pela manhã, da própria plantação. Tinha sido diluído e envelhecido, ficando aguado, morno e extremamente desagradável, como são os homens que Deus disse que vomitaria de sua boca. Desfeitos em sua própria soberba e pecados, como o café estava na água. Grãos e homens, separados desde antes do plantio, mas estragados em algum momento do processo de preparação. Felizmente havia solução. Moeu o grão mais forte que tinha, como Jesus foi moído pelos pecados, e adicionou na mistura sobre o fogo, recuperando o que foi perdido. Aspirou o perfume do produto final, sorrindo triunfante. O sabor podia ser comum, mas o cheiro era com certeza do melhor café.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pigmentação



Olhou para as folhas secas no chão, pensando com os botões do seu casaco novo se elas, em essência, eram da cor que tinham agora ou se sua verdadeira pigmentação era verde como estavam aquelas na árvore. Pensou em como mudavam antes mesmo de cair, como se do nada e por nada a árvore as rejeitasse. Àquela altura já havia se apegado as folhas no chão, por que era de seu costume se apegar a tudo mesmo. Não era justo que depois de suprir a árvore até dizer basta elas fossem simplesmente descartadas, jogadas fora. Pegou uma das secas na mão e riu, percebendo como pensava bobagens. Não fazia sentido tomar as dores de uma folha. Além do mais, se a árvore é que produzia as folhas, era claro que a mesma sabia melhor do que ninguém o que fazer com o que era dela. Se a árvore podia suprir-se na hora mais oportuna, não era ela que precisava das folhas, pelo contrário: Só podiam viver aquelas ligadas a árvore. Já divertindo-se com a lógica que tudo aquilo detinha, concluiu que as folhas, essencialmente, eram como as que estavam no chão. Secas, mortas, inúteis, nada sem a árvore. Mesmo as verdes haveriam de cair, escravas da natureza, e jamais voltariam a viver. Imaginou as folhas ressuscitando e voltando a arvore e lembrou do que ouviu na igreja: Só Deus pode ressuscitar. E se Deus fosse a árvore? E se as folhas fossem homens?

terça-feira, 7 de julho de 2015

Espelho infinito




Por que não nos conformamos com a morte? Por que os homens sonham com coisas que nunca experienciaram?
Um dia parei em frente ao espelho e reparei em meus olhos. Aquela sensação de espelho infinito, quando a luz está entre um espelho perfeito (que só reflete) e um espelho imperfeito (que reflete e refrata), como num abismo sem fim, me prendeu por alguns instantes. E pensei: Não, não é possível que tudo acabe aqui. Aquilo que é eterno deve existir. Meus olhos me dizem isso.
  Hoje parei em frente ao espelho. Vi como tudo havia mudado. Vi que sou refém do tempo, e que a cada instante que se passa se vive mais e se morre mais num processo paradoxal. Mas vi também que uma coisa não havia mudado. Aquele espelho infinito em meu olhar continuava ali. Percebi o quanto cresceu dentro de mim a certeza de que o infinito, a eternidade e a causa que nunca foi efeito - coisas que nunca experienciei enquanto vivi - realmente existiam e que o tempo que agora me consome terá um fim.
  Um dia a morte com a qual não consigo me conformar não existirá mais. E as coisas que nunca vi se revelarão a mim. Disso eu sei porque a causa que nunca foi efeito plantou a eternidade em meu coração.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Marulho



No dicionário, marulho é "agitação contínua das águas do mar, no seu vai e vem". Também pode ser o barulho que o mar faz com esse movimento, e também sinônimo de agitação, desordem, confusão. Confesso que quando fui procurar minha palavra do dia no dicionário (para o post) não sabia o que era isso, e fiquei bem surpresa de ter dado nessa palavra, por quê foi exatamente sobre isso que eu andei pensando. As vezes a vida é marulho e nem precisa ser muita coisa pra gente se deixar afundar. Anteontem conheci a versão em português da música Oceans (Hillsong United), e meditando na letra, lembrei do conhecido episódio em que o Senhor Jesus convida Pedro pra andar com Ele sobre as águas, e por falta de fé o mesmo submerge. É curioso ver como sua fé oscila. Pondo Jesus a prova, Pedro tem coragem de sair do barco, mas ao mesmo tempo sua pouca fé o faz descer ao fundo e no instante seguinte já o vemos implorar por socorro ao Senhor, que estando ali ou não, era sua única esperança. Vejo nesta cena, no lugar de Pedro, toda a humanidade. Quando nos vemos em dificuldade alegamos ter fé na companhia de Jesus enquanto na verdade confiamos em nós mesmos pra passar sobre as provações, e afundamos como se realmente estivéssemos sozinhos. Só então percebemos o quanto incapazes somos e nos amparamos em Cristo, que com toda paciência do mundo estende a mão e nos leva de volta para a segurança da dependência a Ele, longe da nossa prepotência, só pra depois voltarmos a nos ensoberbecer quando tudo parecer sobre controle. Deus preparou aquilo para Pedro de antemão. O homem precisava ver mais uma vez com quem ele estava, quem era aquele em quem ele estava confiando. Precisava ver que ele sozinho não podia nada, que não chegava aos pés daquele que chamava de Mestre: O filho de Deus. Desta mesma forma Deus se preocupa em mostrar-nos. É preciso que confiemos nos nossos próprios pés antes de cair, pra que nosso orgulho seja quebrado. Somos inúteis e o débeis o suficiente pra submergir com Jesus na nossa frente, mas não podemos ver isso só com nossa visão de curto alcance. Somos nada sem ele, Não podemos vencer ou enxergar sem ele, não fazemos coisa alguma sem ele, e mesmo assim milhões de pessoas afirmam veemente que podem ir a Deus (o maior dos feitos!) por conta e decisão própria, sem considerar que sua decisões são diretamente influenciadas pelos acontecimentos que o próprio Deus projetou e pelo auxílio que ele permitiu que recebêssemos do Espírito Santo, assim como Jesus foi pra Pedro naquele momento. Que possamos então a cada dia enxergar mais nossa dependência plena em todas as áreas das nossas vidas, pela misericórdia do Senhor.

Estava precisando ouvir algo assim? Por favor, conte-me nos comentários ♥
Conhece alguém que precisa ler isso? Compartilhe nos botões abaixo ↓
Beijos, e até o próximo post :3

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Foi assim que o amor venceu


 Naquele momento, não podia ser confortado. Ele mesmo não tinha peso nenhum, mas o mundo estava sobre suas costas, curvando seu pescoço. Sentia o sangue quente descer por sobre a testa e ouvia os gritos enfurecidos da multidão podre clamando por morte. Suas mãos haviam sido pregadas com pecados, alguns ainda não cometidos. Seus pés atravessados por ódio e impureza. Em sua cabeça uma coroa de heresias ditas mais vezes do que há estrelas no céu. Seus amigos, cobertos de angústia, não podiam ver a salvação deles mesmos ser comprada pela justiça dele. Então ele expirou e sua santidade estendeu-se sobre os pecadores que seriam chamados santos. Foi assim que o amor venceu.

© Cristianismo Cotidiano , AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena