Passou o carvão no papel, tisnando a imagem e adicionando um sombreado só seu à face do desenho. Apreciou a obra concluída e revelou para a dona, que gostou muito. Enquanto a senhora preparava-se pra pagar o preço, ele percebeu que tanto havia gostado daquela pintura que a queria para si. Pediu-a para a mulher, que como qualquer dos outros que já haviam passado por aquela situação, não soube dizer não. Havia algo nos olhos do artista que não os permitia recusar. O homem emoldurou o retrato e viu sua compradora sorrir. Ela agora sabia que ele cuidaria do desenho melhor do que ela jamais poderia. E como não? Cada peça tinha tanto valor, que se por ela fosse cobrado o real preço, ninguém poderia pagar. Ele amava seu trabalho. Se desse nomes pra cada um dos produtos lembraria de todos os nomes, mesmo já tendo feito mais do que podia contar. Cada um fora perfeitamente planejado, mas a verdade é que gostava mais de uns do que de outros, e estes ele pedia pra si. Desde a feitura já sabia aqueles que eram favoritos, o que é natural de todo criador. Ao contrário daqueles eleitos pelos compradores, seus prediletos não eram os mais bonitos e elaborados, mas os mais simples, os que pareciam ter menos valor. Os dele eram diferentes dos outros e tinham sempre coisas em comum entre si, mas seus admiradores não podiam ver por estarem orgulhosos demais de seus próprios retratos. Não havia importância. Ele sabia que os retratos vendidos em algum momento se perderiam, ou seriam esquecidos. Os dele não. Estariam pra sempre nas mãos de quem sabia o real valor deles.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Tisnar
Passou o carvão no papel, tisnando a imagem e adicionando um sombreado só seu à face do desenho. Apreciou a obra concluída e revelou para a dona, que gostou muito. Enquanto a senhora preparava-se pra pagar o preço, ele percebeu que tanto havia gostado daquela pintura que a queria para si. Pediu-a para a mulher, que como qualquer dos outros que já haviam passado por aquela situação, não soube dizer não. Havia algo nos olhos do artista que não os permitia recusar. O homem emoldurou o retrato e viu sua compradora sorrir. Ela agora sabia que ele cuidaria do desenho melhor do que ela jamais poderia. E como não? Cada peça tinha tanto valor, que se por ela fosse cobrado o real preço, ninguém poderia pagar. Ele amava seu trabalho. Se desse nomes pra cada um dos produtos lembraria de todos os nomes, mesmo já tendo feito mais do que podia contar. Cada um fora perfeitamente planejado, mas a verdade é que gostava mais de uns do que de outros, e estes ele pedia pra si. Desde a feitura já sabia aqueles que eram favoritos, o que é natural de todo criador. Ao contrário daqueles eleitos pelos compradores, seus prediletos não eram os mais bonitos e elaborados, mas os mais simples, os que pareciam ter menos valor. Os dele eram diferentes dos outros e tinham sempre coisas em comum entre si, mas seus admiradores não podiam ver por estarem orgulhosos demais de seus próprios retratos. Não havia importância. Ele sabia que os retratos vendidos em algum momento se perderiam, ou seriam esquecidos. Os dele não. Estariam pra sempre nas mãos de quem sabia o real valor deles.
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
Materialismo
Vivemos em um tempo aonde o protestantismo deixou de ter como base e doutrina o "Sola Scriptura", trocando-o por humanismos, liberalismos, emocionalismos,
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Aguado
Mexeu o café com o cabo da colher como de costume, e bebeu todo de uma vez, olhando para o fundo da xícara cheio de açúcar com desgosto e ânsia de vômito. Estava fraco e numa mistura angustiante de quente e frio. Saltou da cadeira, correndo pra pia e cuspindo tudo que tinha na boca. Não parecia com a semente de qualidade que havia colhido pela manhã, da própria plantação. Tinha sido diluído e envelhecido, ficando aguado, morno e extremamente desagradável, como são os homens que Deus disse que vomitaria de sua boca. Desfeitos em sua própria soberba e pecados, como o café estava na água. Grãos e homens, separados desde antes do plantio, mas estragados em algum momento do processo de preparação. Felizmente havia solução. Moeu o grão mais forte que tinha, como Jesus foi moído pelos pecados, e adicionou na mistura sobre o fogo, recuperando o que foi perdido. Aspirou o perfume do produto final, sorrindo triunfante. O sabor podia ser comum, mas o cheiro era com certeza do melhor café.
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segunda-feira, 13 de julho de 2015
Pigmentação
Olhou para as folhas secas no chão, pensando com os botões do seu casaco novo se elas, em essência, eram da cor que tinham agora ou se sua verdadeira pigmentação era verde como estavam aquelas na árvore. Pensou em como mudavam antes mesmo de cair, como se do nada e por nada a árvore as rejeitasse. Àquela altura já havia se apegado as folhas no chão, por que era de seu costume se apegar a tudo mesmo. Não era justo que depois de suprir a árvore até dizer basta elas fossem simplesmente descartadas, jogadas fora. Pegou uma das secas na mão e riu, percebendo como pensava bobagens. Não fazia sentido tomar as dores de uma folha. Além do mais, se a árvore é que produzia as folhas, era claro que a mesma sabia melhor do que ninguém o que fazer com o que era dela. Se a árvore podia suprir-se na hora mais oportuna, não era ela que precisava das folhas, pelo contrário: Só podiam viver aquelas ligadas a árvore. Já divertindo-se com a lógica que tudo aquilo detinha, concluiu que as folhas, essencialmente, eram como as que estavam no chão. Secas, mortas, inúteis, nada sem a árvore. Mesmo as verdes haveriam de cair, escravas da natureza, e jamais voltariam a viver. Imaginou as folhas ressuscitando e voltando a arvore e lembrou do que ouviu na igreja: Só Deus pode ressuscitar. E se Deus fosse a árvore? E se as folhas fossem homens?
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Gelatinei
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terça-feira, 7 de julho de 2015
Espelho infinito
Por que não nos conformamos com a morte? Por que os homens sonham com coisas que nunca experienciaram?
Um dia parei em frente ao espelho e reparei em meus olhos. Aquela sensação de espelho infinito, quando a luz está entre um espelho perfeito (que só reflete) e um espelho imperfeito (que reflete e refrata), como num abismo sem fim, me prendeu por alguns instantes. E pensei: Não, não é possível que tudo acabe aqui. Aquilo que é eterno deve existir. Meus olhos me dizem isso.
Hoje parei em frente ao espelho. Vi como tudo havia mudado. Vi que sou refém do tempo, e que a cada instante que se passa se vive mais e se morre mais num processo paradoxal. Mas vi também que uma coisa não havia mudado. Aquele espelho infinito em meu olhar continuava ali. Percebi o quanto cresceu dentro de mim a certeza de que o infinito, a eternidade e a causa que nunca foi efeito - coisas que nunca experienciei enquanto vivi - realmente existiam e que o tempo que agora me consome terá um fim.
Um dia a morte com a qual não consigo me conformar não existirá mais. E as coisas que nunca vi se revelarão a mim. Disso eu sei porque a causa que nunca foi efeito plantou a eternidade em meu coração.
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quinta-feira, 2 de julho de 2015
Marulho
No dicionário, marulho é "agitação contínua das águas do mar, no seu vai e vem". Também pode ser o barulho que o mar faz com esse movimento, e também sinônimo de agitação, desordem, confusão. Confesso que quando fui procurar minha palavra do dia no dicionário (para o post) não sabia o que era isso, e fiquei bem surpresa de ter dado nessa palavra, por quê foi exatamente sobre isso que eu andei pensando. As vezes a vida é marulho e nem precisa ser muita coisa pra gente se deixar afundar. Anteontem conheci a versão em português da música Oceans (Hillsong United), e meditando na letra, lembrei do conhecido episódio em que o Senhor Jesus convida Pedro pra andar com Ele sobre as águas, e por falta de fé o mesmo submerge. É curioso ver como sua fé oscila. Pondo Jesus a prova, Pedro tem coragem de sair do barco, mas ao mesmo tempo sua pouca fé o faz descer ao fundo e no instante seguinte já o vemos implorar por socorro ao Senhor, que estando ali ou não, era sua única esperança. Vejo nesta cena, no lugar de Pedro, toda a humanidade. Quando nos vemos em dificuldade alegamos ter fé na companhia de Jesus enquanto na verdade confiamos em nós mesmos pra passar sobre as provações, e afundamos como se realmente estivéssemos sozinhos. Só então percebemos o quanto incapazes somos e nos amparamos em Cristo, que com toda paciência do mundo estende a mão e nos leva de volta para a segurança da dependência a Ele, longe da nossa prepotência, só pra depois voltarmos a nos ensoberbecer quando tudo parecer sobre controle. Deus preparou aquilo para Pedro de antemão. O homem precisava ver mais uma vez com quem ele estava, quem era aquele em quem ele estava confiando. Precisava ver que ele sozinho não podia nada, que não chegava aos pés daquele que chamava de Mestre: O filho de Deus. Desta mesma forma Deus se preocupa em mostrar-nos. É preciso que confiemos nos nossos próprios pés antes de cair, pra que nosso orgulho seja quebrado. Somos inúteis e o débeis o suficiente pra submergir com Jesus na nossa frente, mas não podemos ver isso só com nossa visão de curto alcance. Somos nada sem ele, Não podemos vencer ou enxergar sem ele, não fazemos coisa alguma sem ele, e mesmo assim milhões de pessoas afirmam veemente que podem ir a Deus (o maior dos feitos!) por conta e decisão própria, sem considerar que sua decisões são diretamente influenciadas pelos acontecimentos que o próprio Deus projetou e pelo auxílio que ele permitiu que recebêssemos do Espírito Santo, assim como Jesus foi pra Pedro naquele momento. Que possamos então a cada dia enxergar mais nossa dependência plena em todas as áreas das nossas vidas, pela misericórdia do Senhor.
Estava precisando ouvir algo assim? Por favor, conte-me nos comentários ♥
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Beijos, e até o próximo post :3
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Gelatinei
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