terça-feira, 7 de julho de 2015
Espelho infinito
Por que não nos conformamos com a morte? Por que os homens sonham com coisas que nunca experienciaram?
Um dia parei em frente ao espelho e reparei em meus olhos. Aquela sensação de espelho infinito, quando a luz está entre um espelho perfeito (que só reflete) e um espelho imperfeito (que reflete e refrata), como num abismo sem fim, me prendeu por alguns instantes. E pensei: Não, não é possível que tudo acabe aqui. Aquilo que é eterno deve existir. Meus olhos me dizem isso.
Hoje parei em frente ao espelho. Vi como tudo havia mudado. Vi que sou refém do tempo, e que a cada instante que se passa se vive mais e se morre mais num processo paradoxal. Mas vi também que uma coisa não havia mudado. Aquele espelho infinito em meu olhar continuava ali. Percebi o quanto cresceu dentro de mim a certeza de que o infinito, a eternidade e a causa que nunca foi efeito - coisas que nunca experienciei enquanto vivi - realmente existiam e que o tempo que agora me consome terá um fim.
Um dia a morte com a qual não consigo me conformar não existirá mais. E as coisas que nunca vi se revelarão a mim. Disso eu sei porque a causa que nunca foi efeito plantou a eternidade em meu coração.
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