quinta-feira, 16 de julho de 2015

Materialismo



  Vivemos em um tempo aonde o protestantismo deixou de ter como base e doutrina o "Sola Scriptura", trocando-o por humanismos, liberalismos, emocionalismos, hedonismo, narcisismo, egocentrismo, profecias e achismos. Penso que se Lutero vivesse hoje e visse no que a igreja protestante se tornou, teria uma enorme decepção. Um dos resultados advindos dos desvios mencionados é o materialismo: A prioridade em ter seu prazer em Cristo e sua graça foi transformada em desejo por riquezas, bênçãos e mais bênçãos. É pregado um evangelho totalmente distinto do que o que vemos na bíblia. Muitos de nós crescemos ouvindo que crente não pode passar por dificuldades, por doenças, por crises, solidão, momentos de necessidade, perdas, perseguição e demais sofrimentos, como se o próprio Jesus não tivesse sofrido semelhantemente. Somos levados a crer numa vida triunfalista com base no orgulho humano e não por Cristo. Jesus disse: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". Pastores como verdadeiros lobos famintos por ovelhas, investem em cultos que atraiam pessoas em busca de uma vida próspera, cheia de regalias e um bem estar egoísta, sabendo que o mundo abunda de "crentes" em tal situação, influenciados pela mídia e sociedade que ilustram e plantam como objetivo vital uma felicidade que declaram ser propiciada pelo consumismo, onde o valor pessoal esta no ter e não no ser. Vemos igrejas cheias em campanhas dos 7 dias da quebra de maldição, 7 passos para conquistar seu carro, emprego, sua casa própria, 7 quintas feiras para determinar sua bênção, mas poucos vão á cultos de doutrina e oração, que visam estabelecer uma relação mais intima entre o Homem e Deus (o que claramente deixou de ser a prioridade da maioria dos que se dizem cristãos). Não querem mais saber de santificação para a morte da carne e crescimento de Cristo e do Espírito Santo em nós, e a culpa de tanto hedonismo não está no sistema social ou em qualquer problema periférico. A raiz dos males está no homem, naturalmente imundo, morto em delitos, escravo de suas paixões mais depravadas desde a queda no Eden. Jesus não morreu por nós para que nossa vida nessa terra fosse perfeita, mas para nos salvar do domínio da morte e do pecado, nossas enfermidades da alma, muito maiores do que qualquer doença física ou emocional. Enquanto eleitos de Deus, nossa maior alegria deve estar em saber que mesmo sendo pecadores dignos de nojo Ele vem com sua abundante graça e nos leva ao constante arrependimento e a certeza da nossa vida eterna junto dele. Nossa função como filhos de Deus nessa terra é mostrar sua glória ao mundo, amar os doentes, pobres, pecadores, os famintos, os perseguidos e injustiçados e assim ajuntar tesouros aonde traça e ferrugem não corroem e o salteador não pode nos roubar. Que sejamos gratos pelo que temos e pelo que não temos, para a glória do Senhor, amém.

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